A VITÓRIA QUE NASCE DA LUTA:
Trajetória política de Liana Cirne

Liana Cirne é advogada, professora da Faculdade de Direito do Recife, mestra em Instituições Jurídico-Políticas pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutora em Direito Público pela Universidade Federal de Pernambuco. Feminista e ativista, Liana é mãe de Pedro. Liana também é colunista da Mídia Ninja, do Brasil 247 e Revista Fórum, onde escreve sobre política, direito, maternidade e feminismo. 

 

Apresentou, na TV 247, o programa Quarentena, junto com Elika Takimoto, em que entrevistaram Flávio Dino, Jean Wyllys, Gleisi Hoffman, Aroeira, Benedita da Silva, Marília Arraes, Humberto Costa, entre outros.

 

Liana foi advogada do Ocupe Estelita. Em 2012 impetrou a Ação Popular que suspendeu a aprovação do Projeto Novo Recife e deu fôlego para a mobilização do Ocupe Estelita, movimento social de enorme importância em Pernambuco. Durante o Ocupe Estelita, Liana negociou com Ministério Público, Prefeitura e secretarias as alternativas ao projeto original visado pela construtora. Em conjunto com uma equipe de professores da UFPE, Liana elaborou o pedido de tombamento do Cais, que foi entregue pessoalmente ao Ministro da Cultura Juca Ferreira e a presidenta da IPHAN. Em vários momentos importantes Liana participou ativamente na luta coletiva em defesa do direito à cidade. 

 

Defensora ardorosa do carnaval popular e de rua, em 2014 Liana encampou a briga para acabar com os Camarotes VIP dos governos que praticavam regalias com dinheiro público e restringiam para poucos o acesso de vias públicas no centro da cidade, no Marco Zero e na Torre Malakoff. A iniciativa de Liana levou o governador do Estado e o prefeito do Recife a CANCELAR a montagem dos camarotes institucionais. Além disso, impediu que a Praça do Diário fosse fechada para funcionar como Camarote VIP da Globo, conseguindo uma vitória do espaço público.

 

Quando o Maracatu sofreu forte repressão, foi a advogada que, junto com os Maracatuzeiros, denunciou a perseguição policial, levando ao fim da censura às sambadas e ao reconhecimento do racismo institucional contra o patrimônio cultural imaterial do Maracatu. 

 

Liana prestou consultoria jurídica para a categoria de realizadores do audiovisual, contribuindo para que a Lei do Audiovisual fosse escrita por quem atua numa área com forte participação popular. 

 

Em razão de sua atuação social, Liana foi convidada em 2015 para participar da Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, em Nova Iorque, onde falou sobre a importância da participação da sociedade civil em defesa do meio ambiente urbano e cultural. 

 

Durante o processo de golpe contra a presidenta Dilma Rousseff a voz de Liana teve grande impacto no país. Através de vídeo-aulas sobre as ilegalidades do impeachment, explicando sua ausência de fundamentos jurídicos, Liana fez uma tradução mais simples do “juridiquês” para o público, mostrando as inconsistências e denunciando o papel do judiciário no golpe, contribuindo para popularizar o conhecimento sobre os fatos que estavam por trás do maior debate político do país, naquele momento. O mesmo aconteceu no processo da prisão política de Lula.

 

No carnaval de 2020, Liana atuou para assegurar que o Bloco Feminista Vaca Profana pudesse sair sem repressão ou ataques promovidos pela deputada fundamentalista Clarissa Tércio. Liana garantiu, em negociação com o governo do estado, um destacamento policial coordenado por policiais mulheres, garantindo a brincadeira com segurança e respeito.

 

Em plena crise do coronavírus, Liana ingressou uma representação contra a empresa Americanas.com por aumento abusivo dos preços do álcool gel, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor. No auge das internações por Covid-19, Liana ingressou representações contra empresas privadas e órgãos públicos que exigiam o trabalho presencial de trabalhadores pertencentes ao grupo de risco. 

 

Também foi a advogada que requereu o impeachment de Sergio Hacker, prefeito de Tamandaré, em razão de que ele remunerava com verbas públicas desviadas do fundo de educação as trabalhadoras domésticas que prestavam serviço em sua residência pessoal no Recife, dentre elas, Mirtes, mãe do menino Miguel, que morreu em razão da omissão de Sarí Corte Real, esposa de Hacker. 

 

Liana apresentou notícia-crime contra a deputada Clarissa Tércio e o deputado Joel da Harpa por praticarem crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, além dos delitos de embaraço à ação de autoridade judiciária, incitação ao crime e prevaricação, cometidos quando uma criança de apenas 10 anos, vítima de estupro e pedofilia, sofreu ataques organizados ambos quando foi encaminhada ao CISAM-UPE, a fim de realizar um procedimento para interrupção da gestação, prevista em lei e autorizada pela Justiça. 

 

Liana sempre colocou sua formação jurídica à disposição da luta política em defesa das causas justas e de quem não pode se defender, o que fez diferença em muitas dessas batalhas. Com coragem, empenho e competência, Liana tem mostrado o caminho da luta que deveremos enfrentar nos próximos anos. 

 

Com toda esta garra e preparo, Liana se tornou uma liderança fundamental na política. Em 2020 não podemos deixar de ter uma vereadora como Liana na Câmara Municipal. Nesse tempo de retrocessos e desafios, precisamos ter Liana como vereadora do Recife, porque as ameaças serão cada vez maiores, porque a luta não pode parar e não temos tempo de errar.