
Hoje é aniversário da Revolução Pernambucana, um capítulo que foi deliberadamente excluído dos livros de história do Brasil.
Hoje é aniversário da Revolução Pernambucana, um capítulo que foi deliberadamente excluído dos livros de história do Brasil.
A gente estuda as inconfidências mineira e baiana, mas não conhece nossa própria revolução. Em Pernambuco, nós rompemos com o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, para encampar o primeiro Movimento Constitucionalista do Brasil.
O feriado de 06 de março é o resgate do direito à nossa memória, muitas vezes contada pela metade. Pernambuco foi a capitania que primeiro encampou, no Brasil, os princípios iluministas de igualdade, liberdade e fraternidade e os anseios por uma Constituição, inspirada nos movimentos constitucionalistas do século XVIII.
Ao contrário do que se alardeia, a luta não era apenas contra impostos. A luta era contra as injustiças do império.
Pernambuco foi forçado a pagar a taxa de iluminação pública do Rio de Janeiro, enquanto nossas cidades permaneciam sem luz.
Em 06 de março, o governo imperial ordenou a prisão de Domingos José Martins, do Padre João Ribeiro e de Cruz Cabugá, líderes da Revolução, a fim de impedir que um motim viesse a acontecer.
Entretanto, já no Forte das Cinco Pontas, ocorreu um levante dos próprios militares. Os oficiais revolucionários não se subordinaram às ordens do governador, e o capitão José de Barros Lima, o Leão Coroado, reagiu à voz de prisão do seu comandante, matando-o com golpes de espada.
Assim eclodiu a Revolução Pernambucana.
Durante 75 dias, Pernambuco foi uma república. Chegou a ter uma Lei Orgânica da República de Pernambuco, provisória, até que a Constituição fosse criada, em que previa a separação de poderes e mecanismos de limites e controles, com decretação da liberdade de culto e de imprensa, novidades radicais para o contexto, motivo pelo qual a Revolução Pernambucana pode ser considerada o mais importante dos movimentos anticoloniais.
Pernambuco chegou a ter um embaixador, Cruz Cabugá, que viajou ao exterior em busca de reconhecimento da nova República e de acordos comerciais.

